Ganhei o livro Meu Kafka, com as ilustrações da Stefanie Harjes, que mais parecem meus desenhos quando misturo vinho com um pouco de ódio e solidão.
Lembrei de quando estava em Paris e me vi adoravelmente perdida, percebi que estava na Rue Rivoli e lembrei do hotel Saint-Marie em que Kafka viveu por alguns anos. Ele fica na esquina da Rue de Rivoli com a Rue de L’arbre Sec.
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| Esquina das Rue de Rivoli e Rue de L’arbre Sec |
Uma observação só para não perder o momento: No meio dessa foto, está uma das minhas estátuas preferidas de Paris:
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Saint Joana D’arc
Sempre me identifiquei com a literatura de Kafka. E uma série de coincidências sempre me fizeram reencontrá-lo, quase que em momentos chave da minha vida, como agora. Até o fato de sentir (e depois entender ) que um dos meus filmes preferidos, Black Swan, teve uma pegada (mesmo que metafórica) totalmente Kafkiana.
O auge da minha “obsessão” por ele, veio até mesmo, antes de Caio e Bukowski. Por curiosidade, comecei a ler A Metamorfose, pois tinha acabado de ler A Paixão Segundo G.H de Clarice, e estava em busca daquilo: personagens atormentados em suas realidades, ou a famosa metáfora do inseto, presente nos dois livros. E depois do tapa na cara, e desde então, Kafka andou de mãos dadas com Clarice na minha vida. Os dois judeus, ele Tcheco, ela Ucraniana, unidos pelas suas metamorfoses particulares. GH foi um marco na minha vida, tão grande quanto A Metamorfose, e eu poderia passar o resto da vida falando sobre Clarice e a influência que ela me traz todos os dias, a essência do ser que só ela consegue me mostrar. E tanto ela quanto Kafka, representam para mim um mistério bonito, um sentimento sombrio tão particular que é quase como se um completasse o outro, e eles dois juntos, me completassem.
“Não sei o que fazer da aterradora liberdade que pode me destruir. Mas enquanto eu estava presa, estava contente? Ou havia, e havia, aquela coisa sonsa e inquieta em minha feliz rotina de prisioneira?” (Clarice Lispector)
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